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Como lidei com o bullying morando nos EUA

Ola! Tudo bem com vocês?



A palavra da moda é bullying.Todo mundo usa esse termo nas escolas.

É um assunto delicado e importante, claro!

Estudei nas escolas do Rio de Janeiro e quando se fazia “bullying” a gente falava que estava zoando.  


Então o que é o bullying?


O bullying acontece quando uma pessoa faz graça de outra pessoa de uma forma maldosa verbal ou fisicamente e que a outra pessoa se sente constrangida e coagida.

Cabe a nós pais ensinar nossos filhos a respeitarem os outros e respeitarem as diferenças.

Mas só que isso é muito bonito na teoria mas na prática nem sempre isso acontece.


Nossa primeira iniciativa é ir reclamar na escola. Acontece que a escola só pode agir até um certo ponto, como chamar os pais, suspender o aluno ou até expulsar.

Pois é, aqui no Estados Unidos dificilmente uma escola pública expulsa um aluno, pois para isso acontecer tem que ser algo muito muito sério.  Porque a constituição diz que toda criança tem direito à educação e que o Estado tem que oferecer. Então na escola pública tem o dever e obrigação de acolher todas as crianças.


Sendo assim como é que a gente faz para ajudar e proteger os nossos filhos?


Gente, a melhor coisa que você faz para ajudar seu filho é ensinar ele ou ela a se defender!


Os nossos filhos têm o direito de se defender e não apenas do bullying mas também podem existir outras situações em que não estaremos presentes e eles precisam saber se virar.


Vou contar uma história que aconteceu com o meu filho.


O  meu filho é uma criança extremamente inteligente e calma. Normalmente as crianças muito inteligentes sofrem um pouco na vida social que não flui tão facilmente porque elas pensam diferente.

O que acontecia era que enquanto o amiguinho estava lá brincando com um trenzinho, o meu filho estava pensando nos nomes das partes do trem que estavam faltando. E os amigos não faziam idéia do que ele estava falando e não o chamavam para brincar.

Foi muito dificil para mim, como mãe, ver o meu filho sendo rejeitado.  Ele era tão bonzinho que não tinha malicia quando os coleguinhas tiravam sarro ou o excluiam.


Quando morávamos em Austin, no Texas, ele estudava em uma escola bem pequena e se dava bem porque tinham poucos alunos na turma. Mas quando mudamos para Miami, para uma escola enorme, com o dobro de alunos na turma, as coisas mudaram para ele.


Um dia, o meu filho e um outro menino resolveram por areia do parquinho da escola em cima do bebedouro. O que aconteceu? Entupiu o bebedouro.

A turma toda começou a implicar com ele, que não aguentou e desabou no choro. Ele tinha 5 anos na época e a professora me contou o que tinha acontecido quando fui buscá-lo. E foi então que me deu uma luz de que eu tinha que botar o meu filho para fazer Jiu Jitsu.


O meu marido achava ele muito novo para começar e que ele iria acabar desistindo por ser pequeno.

Só que o meu marido adora livros e um dia foi a uma livraria pequena aqui perto. Ao lado dessa livraria tinha uma academia de jiu jitsu. Ele entrou lá, conheceu o dono, que era brasileiro e voltou para casa falando que esse seria o melhor lugar.


Cara, foi a melhor decisão que já tomamos. O meu filho virou outro garoto!


Assim, no primeiro ano foi muito difícil, porque ele não gostava, se machucava, chorava e não queria ir.

Mas não deixamos ele desistir.


Uma coisa que aprendi como mãe é que: Quanto mais os nossos filhos choram por não querer fazer alguma atividade ai sim é que eles precisam fazer. Quando não reclamam é porque é fácil para eles e não precisam se superar.


Nós falávamos que o Jiu Jitsu era igual ir para escola e que a obrigação de ir era a mesma.

Ele foi melhorando a cada dia, cada semana e foi se sentindo mais seguro.

Acho que foram de 6 a 9 meses com muitas conversas para ele começar a ter mais confiança. Foi ai que ele comecou a passar de faixa e ficou muito motivado vendo os resultados de toda aquela insistência.


Vou te falar que ele está lá a quase três anos e tem uma super auto estima, brinca de qualquer esporte.  

Inclusive, um dos meninos que fazia o bullying resolveu fazer uma graça. Meu filho botou o garoto no chão e ele ficou morrendo de medo. Aí meu filho soltou, né, porque a gente fala para ele que pode usar o Jiu jitsu para se defender mas não pode machucar a pessoa.

O garoto saiu correndo e nunca mais o menino deu uma palavra com meu filho.


Foi um momento em que ele viu o quanto ele ganhou com o esporte.